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Empresas passam a dispor de novo canal para recrutar trabalhadores em Angola

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Responsabilidade social

Empresas passam a dispor de novo canal para recrutar trabalhadores em Angola

Empresas passam a dispor de novo canal para recrutar trabalhadores em Angola

O procedimento acordado entre o IEFP e o INEFOP permite transmitir ofertas de empresas portuguesas e identificar, em Angola, candidatos com perfis ajustados às funções procuradas.

As empresas portuguesas interessadas em recrutar trabalhadores em Angola e sem trabalhadores previamente identificados passam a dispor de um procedimento definido entre o Instituto do Emprego e Formação Profissional, em Portugal, e o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional, em Angola.

O procedimento estabelece o circuito para a comunicação e tratamento das ofertas de emprego, a identificação de candidatos inscritos nos serviços de emprego angolanos e o encaminhamento dos respetivos perfis para as empresas portuguesas.

Para iniciar o processo, a entidade empregadora deverá apresentar a oferta ao IEFP, indicando, entre outros elementos, as funções a desempenhar, o perfil profissional pretendido, o número de postos de trabalho e as condições oferecidas.

Depois de validada, a oferta é transmitida pelo IEFP ao INEFOP. Em Angola, o INEFOP procede ao seu tratamento e identifica candidatos inscritos nos serviços de emprego que correspondam aos requisitos definidos. Os perfis pré-selecionados são posteriormente apresentados à entidade empregadora, a quem cabe avaliar os candidatos e tomar a decisão final de contratação. Este circuito encontra-se previsto no manual de procedimentos entre as duas instituições.

As modalidades de seleção são definidas em articulação com a empresa e podem incluir entrevistas à distância ou presenciais. O procedimento prevê igualmente que os candidatos recebam informação sobre as condições da oferta e que a partilha dos seus dados seja realizada com consentimento.

Apoio do MOVER às empresas e aos trabalhadores

O Projeto MOVER apoiará a divulgação do procedimento junto do setor empresarial e disponibilizará informação e acompanhamento às empresas interessadas.

Implementado pela Organização Internacional para as Migrações em parceria com a AEP, a CCP e a AHP, o MOVER desenvolve também atividades de preparação para a mobilidade laboral, incluindo informação sobre o mercado de trabalho português, direitos laborais, preparação pré-partida, formação em Português Empresarial, com vista a facilitar a integração socioprofissional e a comunicação em contexto de trabalho, e integração em Portugal.

De acordo com a OIM, “a existência de um procedimento definido entre o IEFP e o INEFOP cria condições para que as empresas portuguesas transformem necessidades de mão de obra em processos concretos de recrutamento em Angola. O MOVER complementa este circuito, apoiando as empresas na compreensão do processo e contribuindo para que os trabalhadores selecionados conheçam antecipadamente as condições da oferta e estejam preparados para trabalhar e viver em Portugal.”

Parceiros empresariais mobilizam empresas

A AEP, a CCP e a AHP irão divulgar o procedimento junto das respetivas redes empresariais e apoiar as empresas na compreensão das etapas necessárias à apresentação de ofertas e ao recrutamento através do circuito institucional.

De acordo com a AEP, “as empresas associadas da AEP, especialmente nos setores da indústria, construção, metalomecânica e atividades técnicas especializadas, continuam a reportar dificuldades na identificação de profissionais qualificados para responder às suas necessidades de funcionamento. A existência de um procedimento estruturado entre Portugal e Angola constitui um instrumento relevante para aumentar a previsibilidade e a confiança das empresas nos processos de recrutamento internacional. Para que este potencial se traduza em ofertas concretas, é fundamental garantir informação clara sobre os procedimentos, os prazos e os mecanismos de acompanhamento às empresas. A AEP continuará a apoiar os seus associados na preparação das ofertas e na compreensão de todas as etapas do processo, contribuindo igualmente para uma integração bem-sucedida dos trabalhadores, nomeadamente através da valorização da formação em Português Empresarial, essencial para a comunicação em contexto laboral e para uma adaptação mais rápida às exigências das empresas portuguesas.”

Para Cristina Siza Vieira, Vice-Presidente Executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, “este novo procedimento de mobilidade laboral entre Portugal e Angola é um instrumento importante para responder às necessidades de recrutamento da hotelaria, sobretudo nas funções mais operacionais. É fundamental que as empresas tenham acesso a profissionais com experiência, competências técnicas e conhecimentos de português, através de processos simples e céleres. Mas não basta recrutar; o sucesso desta iniciativa depende também de uma resposta conjunta do Estado, das autarquias e das empresas, que facilite o acesso ao alojamento e assegure o acolhimento e a integração dos trabalhadores em Portugal.”

Por sua vez, a CCP sublinha que “é importante que todas as empresas, incluindo as de menor dimensão, possam preencher vagas em aberto, com recurso a processos éticos, regulares e seguros, de forma a colmatar a falta de mão de obra existente, com confiança e com uma expetativa melhor quer quanto à qualificação, quer quanto à capacidade de retenção de trabalhadores. Poderem as mesmas contar com processos fiáveis entre Portugal e outros países, como o exemplo de Angola, é uma porta que se abre para fazer face às suas necessidades prementes, sem esquecer fatores tão importantes como a possibilidade de aumentar competências, antes e depois da integração de novos trabalhadores, garantir uma inclusão legal e digna na sociedade portuguesa e apostar na formação profissional, tanto enquanto requisito para um melhor ajustamento ao mercado de trabalho, como enquanto um processo contínuo de aprendizagem, imprescindíveis para empresas com uma forte aposta na competitividade e na inovação.”

A criação do procedimento pretende tornar mais clara a articulação entre as empresas portuguesas e os serviços públicos de emprego dos dois países. O seu impacto dependerá agora da apresentação de ofertas concretas e suficientemente detalhadas, que permitam ao INEFOP identificar candidatos ajustados às necessidades de cada função.

As empresas interessadas poderão contactar o MOVER ou uma das associações empresariais parceiras para mais informações.

O Projeto MOVER é financiado pelo Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração e implementado pela OIM, em parceria com a AEP, a CCP e a AHP.

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